quinta-feira, 7 de abril de 2011

E foi, e foram, e somos...

Hoje resolvi acordar mais cedo só pra escrever pra você, meu amigo Felipe. Dizem que as meninas amadurecem mais cedo, antes de vocês, e eu acho que é verdade. Nossa turma já passou dos 12, 13 anos, e eu já comigo ver coisas que antes não via. Felipe, lembra da nossa primeira série? Eu apaixonada pelo Mateus... coitada de mim. Paixão de criança, você sabe. Sei que você não é como os demais, te conheço desde sempre, né? Quantas vezes já rimos juntos, na escola ou fora dela. Outro dia morri de rir com aquila foto que você me mandou no msn da Aninha com aquela peruca amarela... ai ai. Então Felipe, tô escrevendo porque acho que já amadureci e tomei coragem de falar certas coisas. Falei lá em casa outro dia sobre namorar. Minha mãe disse que é muito bom, mas se for com a pessoa certa. Ela disse que não pode me segurar, mas falou muito comigo, deachar a pessoa certa, não ser qualquer um, ter certeza, coisa e tal... e levar pra almoçar lá em casa casa quando eu tiver um, porque ela vai querer conhecer [e meu pai vai morrer de ciúme da princesinha dele, claro, por isso meu namorado vai ter que cuidar muito bem de mim... kkkk]. Felipe, você é meu amigo. Mas já percebeu que a gente pode ser mais? Se você não percebeu, nem ligo, vocês meninos são assim mesmo. Mas se já percebeu, é, bem, Felipe, quero namorar você. Ai, pronto,falei. :$ :$ :$ , se pudesse colocaria aquela carinha de vergonha do msn aqui. Andei pensando, a gente não tem nada a perder, eugosto de você, você gosta de mim. Se tiver a fim de alguém, eu entendo, mas resolvi falar isso hoje. Minha vida tá começando agora. Nossas vidas, aliás. Quero ter sempre sua amizade. Mas e se puder ser mais?... Bem, quero também fazer faculdade, quero um carro, quero muitos sorvetes, quero maquiagem e quero aquelas roupas chiques de uma revista que vi outro dia. Quero muitas coisas. Mas como disse, a vida tá só começando... E estou começando a buscar as coisas que quero, a sonhar.. e hoje sonho com você. Vou te entregar essa carta depois do recreio, 9 e meia. Depois da aula fico esperando sua resposta. Passa na minha sala. Nem precisa falar que é no segundo andar, né, você já sabe. Qualquer coisa, a gente marca de sair um dia desses, me levar pra casa depois da escola e comer alguma coisa no caminho... aqui em Realengo tem coisas gostosas pra comer. Como amigos, ou namorados. Bjs de alguém que está no começo da vida e se descobriu apaixonada. Uma brasileirinha que, agora, quem sabe, pode até chegar a ser presidente...rs.. e voce meu 'primeiro damo'.
Rio de Janeiro, 7 de abril de 2011

Amigos do Vento, a varanda volta a ter movimento. Preguiça, falta de assunto, coisas a fazer, bem, não sei o motivo mas nada voou por três meses... Mas voltei. E agradeço ao Gomelli e a Marina pelos recados. Companheiros blogueiros de melhor qualidade esses que me acompanham e que eu acompanho...rs A carta acima é pura ficção com um sopro de realidade. Em nada mais se fala na tv e na internet e amanhã estará em todos os jornais o caso do rapaz que entrou em uma escola e assassinou jovens estudantes. Não foram Kenny, Ashley, Brian, Tom e Cindy; não foi em outro país. Não foram Manoel, Silvia, Sandra, Raul, Edson e Ivone; não foi algum tempo atrás, com gente com esse nome. Foi hoje! Foram Luiza, Larissa, Bianca, Rafael, Mariana e mais alguns. São nomes de gente nova, jovens e foi em uma escola, e foi aqui no país rico, país sem probreza, e foi inimaginável, e foi pela manhã, e foi notícia, e foi um absurdo. E foram... Foram sonhos, foram amizades, foram filhos, foram irmãos, foram os que odiavam matemática, os que odiavam português. Foram os que tinham orkut, os que tomavam refrigerante, reclamavam da mãe e contavam segredos para as amigas. Foram os que poderiam ser arquitetos, médicos, advogados, jornalistas, eletricistas, secretarios, vendedores. Foram sonhos, foram as primeiras paixões, foram sem descobrir o quanto ruim é crescer. Foram sem marcar data de casamento, foram sem fazer um currículo, sem ter a própria família ou juntar dinheiro para comprar o primeiro carro. Foram embora cedo demais. E só foram pra escola, nada mais. Não penso ser culpa do Estado, do município, da Dilma, do Lula, do Vargas, do Juscelino... Não foram os professores nem funcionários da escola, o padeiro, o vereador, o tsunami nem um remédio errado. Foi um de nós. Um de nós humanos quaisquer. Um sopro e bum! Quando digo que cansei de tentar nos entender, pessoas assim fazem desistir totalmente de conseguir tal proeza. Que os ventos sigam e que as escolas nos ensinem a sermos humanos para que nelas não deixemos de ser. E para os jornalistas e aprendizes, parabéns pelo dia. Bons ventos. Até a próxima.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dois mil e dezcansado


Um velhinho, barrigudo, barbas longas e brancas, roupas vermelhas. Com ele vem um saco cheio de presentes, todos distribuídos em uma só noite. Nunca acreditei em Papai Noel.
Olá, tudo bem? Como estamos de espírito natalino, panetones e a típica bondade de dezembro? Retirem meu rosto dos anúncios de pessoas desaparecidas, eu voltei.


Mais um final de ano, e os cristãos esperam o nascimento de Jesus. Enquanto isso, todas as pessoas enlouquecem, correm, fazem reflexões, gastam muito dinheiro e, nessa época, fazem planos, perdoam, amam, esperam... Tudo o que não aconteceu em 350 dias no ano, tem os 15 últimos dias finais para que aconteçam.
Ouvi em um filme que vi pouco tempo atrás que 'a vida é falta de definição'. Esses dias finais do ano também são tempos sem definição. Não entendo de forma alguma o que nos acontece: quem reclama de falta de dinheiro, gasta mais que pode; quem não se ama, troca presentes; quem se ama, quer mostrar mais ainda que ama; quem nunca visitou a loja nova, é nessa época que visitará. Essa é a época que resolvem lembrar tudo que aconteceu e reclamar do que não aconteceu. Sonhar e fazer novos planos também acontece aqui.

Eu canso. Canso de ver gente correndo e agitada. Gente enlouquecida que distribui a loucura e chega até mim. Canso do sol, canso da gente, canso dos planos. E ainda assim sei que tudo continuará desse jeito, gostando eu ou não... sol, gente e planos.

Para o próximo ano, peço menos sol. Sol demais me irrita, me deixa tempos sem escrever no blog[rsrs],me faz suar demais. Raios amarelados e brilhantes, que esquentam, derretem e queimam. Sem sol, não há vida. Aprendi isso na biologia que estudei em algum momento. Pois bem, sol, fotossíntese, plantas respirando, nós respirando. Tudo ligado. Mas por favor, sol, não precisa exagerar. Tento aé gostar, mas canso

A gente, pessoas enlouquecidas, as vezes me enlouquecem. Sou extremamente paciente, sei disso, mas pessoas devem me canar em algum momento do ano. Que seja o final dele o momento então. Pessoas que me empurram pra subir no ônibus, normalmente senhoras mais cheinhas, carregadas de bolsas, fazem isso mais vezes. Gente que na calçada tenta, com um esbarrão, deslocar meu braço e levar ele consigo. Pessoas falando alto, toas juntas. Gente pedindo esmola, vendendo cartões, balas, flores de sabonete. Gente mandando, implorando, desejando. Gente diferente demais. Nós, pessoas, somos extremamentes diferentes, e isso é bom. Tento ao máximo entender razões e emoções em cada ato de cada um, mas canso.

No final do ano passado, planejei colocar aparelho nos dentes e tirar a carteira de habilitação. Demorei, mas coloquei o sorriso metálico e a carteira não está finalizada, falta bastante ainda, na verdade. Planejar é tão bom. Há a esperança de que tudo seja daquele jeito. E infelizmente muitas vezes nada sai do jeito esperado. Querer passar de série pode não acontecer para a pequena criança. Querer um namorado pode não acontecer para a jovem devota de Santo Antônio. O emprego pode não ser o melhor, o sonho não se realiza, o desejo é apenas vontade. Quem nunca esperou pela praia e choveu? Ou esperou apenas pra sair de mãos dadas e seu par não pode ir? Planejar, eu planejo. Esperar, eu espero. Acontecer tudo do jeito que queremos? Aí não... por isso, algumas vezes, eu canso.

Se o momento é de alegria e pensamentos positivos, pegue o sol dentro de você, irradie a energia. Não precisa queimar ninguém com ela, há espaço de brilhos solares para todos nós. Sol em demasia fará mal à ti também. Pegue seu sol e ilumine quem precisa. Quanto às pessoas, essa gente enlouquecida, talvez com esse pouquinho de raios solares fiquem mais calmam e eu consiga entender melhor. Pessoas somos nós, apenas precisamos de alguns raios de energia Às vezes pra tudo voltar ao "normal". Talvez seja esse o momento de busca por energia. Esse momento de fazer novos planos. E esperar que aconteçam do jeito que se quer.

Escrevo tudo isso e me parece ilusão. Cansar de tentar fazer acontecer. Verbos todos juntos. Bem, se não enxergar pensamentos positivos, sol, pessoas e planos de um jeito que agrade mais, acho que buscarei um velhinho, barrigudo, barbas longas e brancas, roupas vermelhas. Ele traz um saco cheio de presentes, todos distribuídos em uma só noite. Talvez tenha tudo isso que quero. Nunca acreditei em Papai Noel... mas quem sabe não passe pela minha varanda. Ficarei observando. Espere também.


Queridos leitores, obrigado pela companhia. Como esse provavelmente é o último post do ano, desejo bons ventos à todos em 2011.

Até a próxima.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Não mais, talvez

Oi poucos e queridos leitores. Bom dia, boa tarde ou boa noite. Um pouco de vento hoje não faz mal algum.. sintam.

Domingo. Depois do almoço. Dona Jussara vai até sua cômoda de madeira, antiga, uma herança materna, e de lá volta para a cama com uma caixa cheia de detalhes azuis e rosa. Na cama estão seu casal de filhos, três netos, uma irmã e uma sobrinha. A caixa é aberta e lá está o passado de volta. César, o filho, ri ao lembrar da irmã com um vestido horrível na escola. Esta, Luíza, sente vergonha por ter feito aquilo um dia. Um tempo depois e as lágrimas estão nos olhos de dona Jussara. Pedro, seu sempre companheiro, outrora tão bonito e forte no aniversário de uma das crianças, já não mais está ali para segurar sua mão. César usa a sua e a coloca junto à da mãe. Com o mesmo olhar do pai, ele também mostra a saudade. Guilherme, um dos netos, pergunta quem era ele.
Aquela caixa de fotografias traz de volta tudo que PARECE não mais existir em lugar algum. São apenas papéis, alguns coloridos, outros ainda em preto e branco, mas que tem o poder de relembrar emoções...

Não sei se em todos os lugares é assim, mas acho que em muitas casas sim. No canto de um guarda-roupas, em uma gaveta da cômoda antiga, na estante da sala, não interessa, em algum lugar não muito visível as lembranças estão escondidas. O primeiro dia de aula, o primeiro aniversário, o casamento, o neto que nasceu, o batizado, o almoço de Natal, a viagem com a família... A turma de tios sem camisa no churrasco, a avó com suas filhas em uma mesa, caretas, olhos fechados, momentos estranhos clicados. Foto desfocadas, fotos onde a metade dela não existe, foto com metade da cabeça de uma pessoa... tudo isso está dentro dessas caixas que, acredito, quase todos tem ou já viram alguma vez.

Feliz a minha geração que ainda consegue viver isso. Triste, uma das últimas. Pensava nisso dias atrás. Hoje todos tem máquinas digitais, hoje a primeira foto que o pai tira do filho é pela câmera do celular. Onde elas ficarão guardadas? Onde vai estar a emoção de 30 anos depois mostrar aquela foto, ter o cantinho da "caixa histórica"? Desculpem, mas não encontro. Podem me dizer tudo aquilo... que disseram que o rádio acabaria após a tv e não acabou, que o jornal acabaria com a internet e também não acabou... sim, sei disso, mas com as fotos.. não sou tão otimista assim.

Não confio muito que computadores guardarão minhas fotos até que eu vire um velho rabugento. Ou melhor, até que eu fique mais velho e muito mais rabugento. Tenho medo, confesso. Medo de perder o sabor da emoção de olhar uma foto e lembrar de tudo que aconteceu ali. Medo de não mostrar para os que chegarão ao mundo como isso é gostoso.

"e o que vai ficar na fotografia são os laços invísíveis que havia". Sã esses laços que sempre vejo nas fotos das minhas primeiras séries escolares. Vejo sempre minha cara de choro, minha falta de vontade de dançar na festa das mães, minha festa do livro. Tudo me faz lembrar coisas que possivelmente não lembraria se não as visse. No meu primeiro aniversário eu estive apenas marcando presença, de nada consigo me lembrar 19 anos depois, mas com as fotos sei que a minha família esteve toda lá, lembro da roupa vermelha que minha mãe usou, lembro perfeitamente do meu pai andando comigo. E, com a foto, lembro de estar dormindo no ombro gostoso do meu avô. Não saberia de nada do meu aniversário não fossem as tais fotos. Não lembraria do ombo que já não mais posso deitar. Vergonha do meu cabelo na foto da escola, saudade de um ombro. Os amigos da escola não sei por onde anda maior parte. O ombro já não posos mais usar. Mas olhando ali, sempre vou saber que estão dentro de mim.

Os laços invisíveis estão se tornando ainda mais invisíveis. Tenho medo de não ter uma caixa. Aliás, se eu tiver, um dia, será menor que a da minha mãe. O ritual de olhar e sentir, será mais rápido.

Não confio nos computadores, mas se não tiver jeito, vamos tomar cuidado com eles para que dentro de 60 anos possamos usar nosso pen drive, com detalhes azuis e rosa, levar o notebook à cama e recordar com quem não viveu.


Abraços, bons ventos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Barreiras, barões e esbarrões

Olá.
Duas notícias do início do mês, as duas do site G1.


09/08/2010
"Adolescente é morto após discutir com homem dentro de ônibus no Rio
Ao entrar no ônibus, o adolescente esbarrou em uma mulher que estava com um bebê. Ela reclamou e um passageiro que viu a cena começou a xingar Michael. Os dois discutiram por alguns minutos
."


10/08/2010
"Motorista mata homem e fere filho da vítima após batida no trânsito
Para desviar de um buraco, Airton Fernandes dos Santos entrou na pista contrária e esbarrou no retrovisor de outro motorista, que passou a perseguir a família, disparando vários tiros
."

No primeiro caso, Michel tinha conseguido o primeiro emprego, emprego de distribuidor de panfletos, tinha 16 anos, estava correndo pra entrar no ônibus junto com a namorada. Isso aconteceu no dia dos pais. Na entrada do ônibus houve o esbarrão.

No segundo, Airton estava com a esposa e os filhos no carro, quando, em uma estrada de terra, foi desviar de um buraco. Airton era um pai todos os dias. Desviando do buraco houve o esbarrão.

Oi amigos leitores, companheiros blogueiros. Mais uma vez fiquei um bom tempo sem escrever, mas a Tamiris não deixou o vento parar. Comentei com a Marina dia desses que queria escrever sobre uma dessas notícias. Acho que demorei a vir aqui escrever porque... bom, porque é tão impressionante, tão surreal, que.. não sei, as palavras somem. Bem, permitam-me recomeçar o texto...


Olá.
Duas coisas aconteceram perto de mim no início do mês.

09/08/2010
Vocês não vão acreditar, mas eu estava entrando no ônibus, devia ser por volta de meio dia, e estava lendo uma revista. Eu lá, subindo a escada do ônibus, prestando atenção na revista, sem querer esbarrei numa pessoa que estava na minha frente e vi que ela estava com a mesma revista que eu.. coincidência. Rapidamente me desculpei, a pessoa olhou a revista, ainda brincou dizendo "você tem bom gosto". Achei interessante esbarrar justamente numa pessoa que tem o mesmo gosto de leitura...

10/08/2010
Estava com meu pai, minha mãe e meus irmãos dentro do carro, quase chegando em casa, quando, na curva para virar e entrar pelo portão, um rapaz de bicicleta vinha entregando panfletos e esbarrou no retrovisor do carro. Ele pediu desculpas e logo seguiu seu caminho. Ainda colocou um panfleto pra dentro do carro. Parece que o folheto fazia propaganda de algum político que, entre outras coisas, queria arrumar todas as ruas, acabar com buracos.

Oi amigos leitores, companheiros blogueiros. Mais uma vez fiquei um bom tempo sem escrever, mas... mas...

Desculpem, esbarrei agora em um dilema ético. Não consigo fingir que tudo é perfeito e verdade. Eu não entrei em ônibus algum no dia 9 nem esbarraram no carro do meu pai no dia 10. Eu inventei. Queria ter inventando as primeiras notícias, mas não, elas são verdadeiras... o que parece piada, é verdade. E o que parece verdade, é piada, mentira.

Esbarrar é uma palavra que sempre traz junto dela um pedido de desculpas. Esbarrar traz junto dela uma falta de intenção. Pode ser que não exista um pedido de desculpa, mas ele existe ali escondido. Quantas vezes não esbarramos em pessoas na rua? Sinceramente, eu não gosto muito que esbarrem em mim, cotoveladas, etc... tem tanta calçada pra andar, por que logo pra cima de mim? Tente desviar.. Mas ok, não é o maior dos problemas. Existem milhares de pessoas andando ao mesmo tempo que eu, claro que uma hora alguém tem que esbarrar em alguém. Sinceramente, parte dois, isso é motivo para matar? 'Motivo para matar' parece que é nome de filme... talvez nem nesses filmes matem por esbarrar em retrovisores. Se esbarrões matassem, eu seria um assassino em série e já teria morrido várias vezes.

As notícias ficam mais absurdas a cada dia que passa. Bom, não é de estranhar, já que as pessoas ficam mais absurdas a cada dia que passa.

Uma das vítimas era um pai. Todos os dias, pai de cinco filhos. A outra vítima era um filho, morreu no dia dos pais e seu pai, nas entrevistas, inconsolável e buscando por justiça. Filhos sem pai e um pai sem filho. Tudo por esbarrões que aconteceram.

Fico imaginando... o vilão do ônibus nunca esbarrou em ninguém? Até mesmo um olhar que tenha se esbarrado a outro olhar e o coração bateu forte.. coração? Bom, acho que não, coração não funciona bem nesse caso, é visível... e o outro, do esbarrão no retrovisor... tirando a carteira de motorista, será que não esbarrou em nenhum cone? Sinto que se continuar escrevendo vou me perder, posso acabar esbarrando em temas que não caberão aqui...

Cuidado ao esbarrar em alguém, os seres humanos do futuro trarão essa inscrição no manual de intruções.


Amigos leitores, até a próxima.
Bons ventos.

E se quiserem um espaço para respirar, longe da multidão, venham até a varanda. E, na fila, podem se esbarrar, aqui é permitido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Estações da vida!

Há quem compare a vida com uma estação de trem. Sempre que leio sobre isso me surpreendo porque de fato podemos comparar sem equívocos.
Pessoas, lugares, momentos, tudo passa pela gente diariamente. Rápido! Muito rápido.

Há quem marque, há quem passe, há quem ainda passará. Eu espero muito por essas pessoas que ainda passarão, tenho muita curiosidade pra saber o que de fato o futuro me reserva.
Quantos rostos eu verei ainda, quantas pessoas irão me aconselhar, quantos irão brigar e me amar. Não vivo esperando o futuro, mas a curiosidade é grande.

O tempo voa! Os trens não são mais a vapor, são a bala =O. Ontem foi a final da Copa do Brasil, hoje da Libertadores, eu não vi jogo nenhum, pra mim era o inicio da competição, já é a final. Quando foi que desliguei a TV? Porque perdi todo o campeonato? NÃO SEI, pode ser louco, mas eu simplesmente não sei.

Ontem o assunto era o fracasso do Brasil na Copa, hoje a seleção é idolatrada aos comandos de Mano Menezes porque o hexa virá, em 2014.
Eleições em Novembro parecia ontem que o Cabral estava tomando posse. Me lembrei do Lula chorando quando ganhou a eleição de 2002 e depois a de 2006.
Eu parei no tempo ou ele que anda rapidinho demais? A resposta mais uma vez é: NÃO SEI!

As pessoas chegam e vão, umas deixam e outras nos tiram algo. Se parece ou não com uma estação de trem? Fico imaginando o guarda volumes de uma estação de trem, de uma rodoviária... deve ter cada história. Cada coisa bacana e macabra ao mesmo tempo.
Na minha estação muita gente passou, muita gente ficou e muitos permanecerão. Nela perdi de vista pessoas importantíssimas, deixei outras tantas pegarem o trem e nunca mais vi. Despachei gente chata no trem das onze junto com os demônios da garoa, mas também me juntei com Caetano e criei um trem das cores, colorido, lindo.

Reflexões, reflexões... rs

E pra terminar, Cazuza:

"Vida louca, vida, vida breve. Já que não posso te levar, quero que você me leve..."

Bons Ventos!

(Tamiris_Santana)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Por Martha Medeiros

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.

Martha Medeiros!


*Não é plágio gente rs!
Eu amo a Martha, achei bacana dividir com vocês um texto como esse.

Boa semana pra todos, aproveitem cada linha desse texto, ela é um "monstro" escrevendo.

domingo, 25 de julho de 2010

E ai?

Se alguém parasse na rua e fizesse para cada um que passasse, a seguinte pergunta: "E AI?" e se por acaso fosse você uma dessas pessoas. O que responderia?

O livre arbítrio vai até onde? Até onde as restrições começam ou acabam?
Já pararam pra perceber que a gente só questiona quando doi no nosso calo ou quando estamos longe da pessoa a ser "atingida"? Se fossemos liberados pra falar o que quiséssemos, falaríamos o que?
Fico imaginando que seriam tantas coisas que mandaríamos beijos pra mamãe, cobraríamos o vizinho ou iríamos dizer pro namorado (a) o quanto o amamos. Né? O que realmente deveríamos não sairia, por mais que estivesse ali, na ponta da língua.
Comecei pensar nisso depois que vi uma reportagem exatamente assim, o microfone estava aberto, no entanto, ouvi muitos beijos, muitas declarações e nada de direitos humanos ou até mesmo reivindicações pessoais importantes.
Por que precisamos falar a público que amamos nossos pais? Os interessados são eles, é gostoso falar pra eles. Ao namorado, idem. Ao mundo não interessa, ninguém quer saber, ta todo mundo correndo pra pegar o ônibus, pra comer no bobs porque a hora de almoço é pequena, ta todo mundo girando em uma velocidade infinitamente mais rápida que a do mundo, a gente não vê passar, a gente vê voar.
MC Creu foi tão questionado, mas ele tinha um pouco de razão, a velocidade é CINCO!
Se girássemos lentamente, na velocidade um, que graça teria? Haveria graça? Se usássemos esse microfone aberto pra falar mal de um político, solucionaria? O que é certo?
O beijinho ou a cobrança?
E aí? O que você me diz? O que você gritaria?
Eu acho que mandaria um recado pro Fred:
IRMÃO, NÃO SUMA MAIS DAQUI!
E com isso seria mais uma a esquecer os problemas sociais e lembrar dos amigos, familiares e afins, afinal de contas, eu sou só mais uma mesmo...

Bons ventos!


(Tamiris_Santana)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pequena fala

O que o mundo vai dizer quando o amor vencer?
Escutei essa pergunta em uma música. E logo comecei a imaginar. Uns dirão "Eu já sabia", outros dirão "Até que enfim"... alguns ousarão dizer "Merda, perdi..".. Outros levantarão cartazes com dizeres "A paz venceu!" , "Só o amor salva" e "Filma eu Galvão". O que o mundo vai dizer? O mundo sempre tem coisas a dizer, é incrível.

Um boato corre pelo bairro dando conta que Dona Fulana morreu naquela manhã. Logo as bocas pronunciam "Coitada da Dona Fulana, passou por aqui ainda bem ontem mesmo"... e outro "Dona Fulana já estava mesmo meio adoentada"... ainda há quem diga "Dona Fulana foi e nem pagou a rifa da bicicleta, velha desgraçada". O mundo sempre tem coisas a dizer, é incrível.

Coloquei aparelho nos dentes e o dentista disse que eu precisava tirar 4 dentes. Tirei. Ele disse que eu precisava tirar. Houve quem dissesse que não deveria tirar, eles irão me fazer falta no futuro. Disseram que iria doer. Disseram que não iria doer. Bem, extraí. O mundo sempre tem coisas a dizer, incrível.

No ônibus é assim também. [Em homenagem ao Gomelli, que no último comentário disse que eu devia estar num ônibus buscando inspiração..rs]. No ônibus, gente que nunca se viu faz suposições das mais absurdas e alguns dos ouvintes a tratam como a verdade absoluta. Se passa perto de uma obra e uma pessoa diz que é para conter problemas da enchente, o outro acredita, ainda que a obra seja para construção de uma praça.

Tudo isso pra chegar aqui. Acho que o mundo está falando demais e sabendo 'de menos'. Conseguem falar tão bem do final da novela mas só conseguem falar que político é ladrão e não conhecem metade dos candidatos à presidência. Falam tanto sobre futebol, acham culpados pela perda da seleção mas só dizem que o salário é uma porcaria, não tentam aprender e crescer. Falam, falam, falam. O mundo sempre tem coisas a dizer, incrível. Pena que às vezes o mundo sempre tem coisas a saber e não querem.

Ah, se soubéssemos de tudo que falamos... se falássemos de tud0 que sabemos. Mentimos e omitimos. Ainda que por boas causas, somos assim. Uns mais, outros menos. O que eu direi quando o amor vencer? Não quero parecer cruel, mas acho que não terei mais nada a dizer. Muita coisa que já disse aqui até hoje tem a ver com o amor, com o bem, com a nossa capacidade de sermos bons e as más escolhas... quando o amor vencer ficarei bem, mas minhas palavras... bem, não sei.. acho que terei que pensar muito antes de falar..

Lição de casa? Ouvir, aprender, aprender a ouvir, aprender a ver tudo e ter uma opinião certa, ainda que para você. Não vá com os outros. Peraí, quem sou eu pra dar conselhos? Ah, o mundo sempre tem coisas a dizer...

Bons ventos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Conclusão do dia:

Deus era um desenhista.

Veja bem! Já pararam pra reparar que a maioria das coisas parte de um desenho? Um carro começa no papel, depois de algum tempo, aparece carregando corpos por aí. Prédios só são erguidos porque arquitetos e engenheiros desenham e colocam de pé cada pá de cimento.

Sendo assim, chego a conclusão que somos ou fomos um desenho.

Mônica, Cebolinha, Michey e Miney também eram desenhos, hoje andam e falam com as crianças do mundo.

Há de se confessar que alguns desenhos foram borrados, essa é a explicação para tanta diversidade no mundo. Alguns desenhos não foram terminados, uns ficaram só na sombra, outros tantos ficaram com muita cor. A explicação da nossa existência vem de um papel aos olhos de uma menina de 20 anos que nada entende da vida.

Viu como tudo pode ser fácil?

Big bang, teoria da criação, da evolução... Balela escute a Tamiris, somos desenhos e querem saber? Tenho certeza que somos refeitos a cada dia, incluindo coisas e retirando outras.

Que desenho é você? Pense nisso.

Eu com certeza fui feita em algum momento de reflexão e quando Deus desenhou meu cérebro ele deve ter esquecido alguma coisa importante, se tivesse feito tudo certinho, certamente não estaria aqui falando tanta bobagem (ou não). rs

Obs. A versão do Armandinho, vocês esquecem, tá? Além de chata, não tem concordância nenhuma.

Desenhos, boa noite! Ótimo final de semana.

Curtam a brisa...

(Tamiris_Santana)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Inacreditável "show" da vida


Não farei do nosso blog querido uma central de notícias do dia a dia, porém, peço licença para postar aqui uma humilde opinião sobre o "Caso Bruno".

A opinião não virá seguida de criticas e regada de lições. Somente um alerta!

Pessoas do bem. Mães e pais de familia, adolescentes engajados em boas causas e crianças que só querem da vida um espaço no mundo, ainda que hoje, estejam brincando de boneca e castelos de areia;
Vamos cuidar das nossas crianças, o futuro virá cheio de Brunos, Mércias e Elizas. Ninguém quer isso, chega de ver a TV falando de brutalidade, de atos desumanos causados por humanos. Isso é contraditório. Isso é triste!

Não quero que meu filho cresça em um mundo sujo assim, creio que você também não. Base familiar, educação, conceitos de respeito e bondade para com os outros, isso aqui não é politicagem, é vida. É uma possibilidade de "salvação". É a única e mais real, na verdade!
Não são só assassinatos não! A gente agride o que simplesmente não pode ter reação, nosso meio ambiente ta acabando. Animais grandes, pequenos, indefesos ou não estão sumindo, evaporando como a água do arroz de todos os dias nas nossas mesas. Água essa que ta secando. Arroz esse que fica cada vez mais caro. Vapor esse que não aquece mais nada. Cada dia mais frio.
A mundança depende de nós, somos nós que vivemos aqui. Fechar a janela não adianta, parar o mundo muito menos. O jeito é trazer pra si, tratar como pessoal e principalmente fazer ao invés de falar. O mundo gira, lembram do post anterior? O tempo passa e nem sempre ele é amigo. Não somos plateia sempre, precisamos ser atração também. Quem está na plateia não vive o show. Ninguém precisa viver na calmaria somente, isso não significa "vida mansa". Todo mundo precisa de um ponto de ebulição. Todo mundo precisa explodir pra se recompor. O que falta em nós é a coragem dos que ja lutaram por algo nessa vida. Vamos gente, seja de cara pintada, seja desafiando sozinho um exército, seja culpando o país vizinho, MAS SEJA! A hora é essa, juntos dá, juntos conseguimos.

Atenção e vontade. É só o que precisamos!
Bons ventos, boa semana a todos.

[LUTO] (mediante a tantas desgraças)

(Tamiris_Santana)